Natural da Região Serrana do Rio de Janeiro (Nova Friburgo), desde muito cedo me apaixonei pela natureza, em todas as suas formas e manifestações. Passei grande parte de minha infância e adolescência subindo montanhas, andando de bicicleta e desbravando trilhas e cachoeiras da ampla Floresta Atlântica de minha cidade. Isso naturalmente me levou para a Biologia, área pela qual sou fascinado. Me formei em Licenciatura (2010) e Bacharelado (2011) em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Viçosa. Nas Minas Gerais conheci mais profundamente as belezas do Cerrado, dos Campos Rupestres e da Caatinga, sem saber que esta última iria marcar minha vida futura. Minha história na biologia se inicia na educação, trabalhando com as aplicações da Teoria da Gestalt para a Educação, lecionando no Cursinho Popular DCE/UFV, baseado na Educação Popular de Paulo Freire, e depois empreendendo um projeto com utilização de Hortas Escolares para o Ensino de Ciências no Ensino Fundamental. Paralelamente, começo a trabalhar em projetos de Etnoecologia e Etnobiologia, descobrindo uma área fascinante que envolve o diálogo do conhecimento científico com o saber local e popular sobre a natureza. Nesses trabalhos conheci grandes mestres em biologia com um conhecimento sobre a natureza muito aprofundado e integrado. A partir de 2010 juntei duas grandes paixões: o som e as plantas, realizando estudos sobre os efeitos de sons em plantas. Fiquei por quase 04 anos envolvido nessas pesquisas, trabalhando primeiramente no TCC com a influência da música sobre tomateiros, e depois, já no Mestrado em Ecologia da UFV encerrado em 2013, estudando interação inseto-planta mediada por sons, com foco na relação entre o canto das cigarras e as plantas de beijinho. Me aprofundei então na Ecofisiologia, compreendendo a complexa teia de interações, reações e sensibilidades dos vegetais. Ao encerrar o Mestrado, me envolvi num novo projeto, totalmente diferente de tudo que tinha realizado, fui trabalhar de Assessor Técnico na ONG Articulação no Semiárido (ASA), no Recife. Fiquei em 2014 rodando os Sertões de Pernambuco e Rio Grande do Norte pelo Projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2), visitando em torno de 600 famílias. O projeto teve como foco a construção de 8.000 tecnologias de armazenamento da água da chuva (cisternas calçadão, enxurrada e barreiros-trincheira) nas propriedades das famílias agricultoras. As famílias são capacitadas em Gestão da Água e Manejo Agroecológico, além de participarem de intercâmbios e encontros territoriais; essa água armazenada tem como foco a utilização para produção animal e agroecológica. Do início de 2015 até o meio de 2016 trabalhei como Assessor Técnico no Projeto de Manejo da Agrobiodiversidade Sementes do Semiárido. Este trabalho tinha como foco a construção, apoio e incentivo a 640 Bancos Comunitários de Sementes Crioulas em toda a região Semiárida, envolvendo 12.800 famílias agricultoras. Nesse projeto, todas as famílias foram capacitadas em Gestão da Diversidade de Sementes e Gestão de Estoques nos Bancos de Sementes, além de participarem de intercâmbios, encontros territoriais e estaduais, tendo todos o foco de valorizar, intercambiar e expandir as experiências com Sementes Crioulas pela região. Nesse trabalho, viajei pelos estados de Sergipe, Alagoas, Paraíba e Piauí. Em síntese, com essas experiências me apaixonei pelo Semiárido: seus povos, culturas, comidas, natureza e fartura com pouca água e poucos recursos, mas muita sabedoria.