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Renato José da Silva

Compreendo que, para quem vive no plano normal, no qual o movimento histórico é menos sensível, a minha atitude possa parecer, desde logo, exaltação, perigosa audácia, pretensão absurda, estranha megalomania, efeito de desmedido orgulho. Mas, eu não posso viver, na hora premente de hoje, de acordo com as medidas e as prudências humanas, que são proporcionais a fins humanos. A solidariedade social não é garantida mais nem pelo direito, pela disciplina da força, nem pelos institutos jurídicos coordenadores, e sim pela reciprocidade do dever e do amor, a que livremente aderimos. É assim que deixamos de lado o aspecto humano do Cristo, para vê-lo sobretudo em seu aspecto cósmico e divino, como representante do Pai, vindo para fazer-nos conhecer a sua Lei, para ensinar-nos e ajudar-nos a subir a Deus, levando-nos consigo do Anti-Sistema ao Sistema. Para o cidadão romano, essa nova e convicta liberdade era anarquia; o superamento, absenteísmo; a paciência, vileza; a obediência, debilidade; o sofrimento, derrota. Tão grande diferença impossibilitava a compreensão. As massas humanas, vastas como o oceano, vão à deriva, na ignorância dessas verdades elementares, e caem vítimas das próprias ilusões. A realidade é bem diferente da que comumente se imagina; Quem rouba crê enriquecer, mas empobrece; quem mata não prolonga sua vida, morre; quem engana se engana; quem odeia se odeia Quem foi injustamente roubado receberá compensação; quem foi morto injustamente ressuscitará em alegria; quem é honesto e de boa fé verá a verdade, embora tenha sido enganado; quem ama será amado, apesar de hoje ser odiado. A chave da felicidade não está na força ou na astúcia, mas na justiça e no mérito. No mundo reina a dor porque o homem não segue a ordem divina; é rebelde seguidor de Satanás. A causa não está em Deus e, sim, no homem. Tereis, contudo, razão, se afirmardes que a felicidade se acha destinada ao homem nesse mundo, desde que ele a procure, não nos gozos materiais, sim no bem. A história da cristandade fala de mártires que se encaminhavam alegres para o suplício. Hoje, na vossa sociedade, para serdes cristãos, não se vos faz mister nem o holocausto do martírio, nem o sacrifício da vida, mas única e exclusivamente o sacrifício do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade. Triunfareis, se a caridade vos inspirar e vos sustentar a fé. A Lei de Deus substitui a dos homens e os vencedores deixam de ser os mais fortes, juridicamente organizados, para serem os justos, os oprimidos, os vencidos, isto é, os credores, segundo o entendimento da Lei. Cristo proclama outras vitórias e exalta outro tipo de vencedor. O cidadão romano não podia entender nada disso. A solidariedade social não é garantida mais nem pelo direito, pela disciplina da força, nem pelos institutos jurídicos coordenadores, e sim pela reciprocidade do dever e do amor, a que livremente aderimos. A conceituação do direito é atingida em cheio e abalada em seus próprios fundamentos. O direito não é mais filho da força, o resultado de conquista, concessão ou pacto. O novo direito prescinde da força e, por constituir-se essencialmente de justiça, é até mesmo contrário à própria força. Baseia-se em princípio completamente diverso do jurídico romano, participa de outro sistema e de outro mundo. Não se trata mais do direito humano da força, mas do superdireito do merecimento. Não é mais o homem quem, como nos mercados, toma da balança e pesa o "deve" e o "haver" dos direitos e obrigações; as forças íntimas da vida é que, de acordo com o critério da Lei de Deus, distribuem ou não os bens, premiam ou castigam. Perante esse superdireito substancial, o velho conceito romano torna-se valor formal, relativo, de referência, coisa miserável e mais digna de piedade que de ser combatido. Os líderes e os imperadores são derrubados do trono e, se nele permanecem, isso acontece apenas enquanto são instrumentos de Deus.
Renato José da Silva, possui graduação em Biblioteconomia pela Fundação Universitária do Oeste de Minas (1997) e mestrado em Ciência da Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2003). Cursou doutorado na Universidade de São Paulo, mas, por abnegação prática e fé na verdadeira Ciência não obteve (em 2012) o grau de Doutor pela USP. Na verdade, impulsos generosos se vos depararão, mesmo entre os que nenhuma religião têm; porém, essa caridade austera, que só com abnegação se pratica, com um constante sacrifício de todo interesse egoístico, somente a fé pode inspirá-la, para manter entre os homens uma ordem social capaz de os tornar felizes. Dito que a caridade é impossível sem a féAté 23/09/2016, R. Silva é professor assistente da Universidade Federal de Mato Grosso e atua como pesquisador independente, elaborando a sistematização de A Grande Síntese da Ciência dos raios ou vibração da Luz Mental Superior. Não podemos compreender bem a revolução social iniciada por Cristo e em seguida continuada lentamente através dos séculos, até ao decisivo e atual momento histórico, senão comparando rigorosamente a psicologia da romanidade imperial com a do programa evangélico. Cristo e Roma estão face a face. Simbolizam dois sistemas, vivos ainda hoje, ainda hoje face a face o problema continua atual porque o choque das forças contrárias é idêntico hoje em dia e o mundo se encontra nas mes-mas condições: as duas concepções estão nitidamente em luta. O choque se dá, essencialmente, entre força e justiça, entre duas diferentes estratégias, que não combatem no mesmo plano e com as mesmas armas e falam línguas mutuamente incompreensíveis. A Antiga Roma é grande, mas apenas no plano humano. Seu gênio conquistador é grande. Para criar e aumentar sua riqueza, Roma guerreou contra o mundo durante sete séculos. Acumula, depois se entrega aos prazeres e cai. vítima de seu poder, é traída pela mesma riqueza em que acreditou. Erros no sistema, destruídos com poucas palavras de Cristo no Sermão da Montanha. Mas os positivistas da antigüidade não o entenderam e foram vítimas disso. Sua filosofia era superestrutura refinada, vã e fictícia, sem ligação com a vida; não passava de discussões acadêmicas, não interessadas em modificar-lhe as bases, que permaneciam firmes e significavam: dominar. Meio a empregar: a conquista guerreira. Resultado: o solo provincial,. propriedade de Roma, os tributos pagos por aquelas terras ao proprietário. Os povos dominados são constituídos principalmente de vencidos, sujeitos a contribuição, escorchados pelo fisco, ajoelhados aos pés da "Urbs" administradora da justiça. O resto, o menos importante, não interessa e, por isso, é magnanimamente dado como presente; mas o poder judiciário supremo permanece em mãos do magistrado vindo de Roma.É inútil que o homem ávido de gozos procure iludir-se sobre o seu destino nesse mundo, pretendendo ser-lhe lícito ocupar-se unicamente com a sua felicidade. Sem dúvida, Deus nos criou para sermos felizes na eternidade; entretanto, a vida terrestre tem que servir exclusivamente ao aperfeiçoamento moral, que mais facilmente se adquire com o auxílio dos órgãos físicos e do mundo material. Sem levar em conta as vicissitudes ordinárias da vida, a diversidade dos gostos, dos pendores e das necessidades, é esse também um meio de vos aperfeiçoardes, exercitando-vos na caridade. Com efeito, só a poder de concessões e sacrifícios mútuos podeis conservar a harmonia entre elementos tão diversos. E se este livro puder parecer um imperdoável ato de orgulho e de audácia, é justo que eu pague. Aqui estou para isso. Para mim, existe um outro prélio no céu, onde a terra não chega e estou a postos. Que os sonolentos sejam abalados. O sono é hoje a pior das posições.

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