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Vanessa Alexandra Fernandes de Magalhães

A resistência a antibióticos é um problema cada vez mais pertinente no tratamento da maioria das doenças patogénicas humanas. Por exemplo, na doença provocada pelo Streptococcus do Grupo B (GBS), (a principal causa de sépsis e meningite neonatal, embora a penicilina seja a primeira escolha no tratamento a infecção, foram recentemente identificados isolados clínicos com susceptibilidade diminuída a este antibiótico. Adicionalmente, a resistência a macrólidos a à clindamicina tem aumentado entre os isolados invasivos de <5% para 20 30%. Assim, o desenvolvimento de uma abordagem terapêutica alternativa que tenha como alvo a patogenicidade microbiana deverá minimizar a selecção de organismos resistentes. Na tentativa de responder a esta problemática, o nosso grupo de investigação no laboratório Mário Arala-Chaves (ICBAS, UP) efectuou o estudo imunobiológico da infecção induzida pelo GBS (num modelo murino de susceptibilidade à infecção) bem como a caracterização imunobiológica de factores de virulência produzidos pela bactéria. O objectivo deste estudo foi identificar um antigénio alvo para o desenvolvimento de uma vacina. Há alguns anos, Arala-Chaves e colaboradores demonstraram que diferentes micróbios patogénicos são capazes de produzir e excretar proteínas com função imunomoduladora facilitando a sua colonização no hospedeiro ao impedir o desenvolvimento de uma resposta imune eficaz por parte do hospedeiro. Estas proteínas foram genericamente designadas de proteínas imunomoduladoras associadas à virulência (VIP, virulence-associated immunomodulatory proteins). Verificou-se que a imunização específica com várias VIP induzia protecção contra a infecção pelo microrganismo que as produzia. Recentemente, foi identificada uma proteína excretada por GBS, com as características de VIP: a gliceraldeído 3-fosfato desidrogenase (GAPDH). Usando um modelo murino de susceptibilidade à infecção por GBS (ratinhos BALB/c), verificou-se que a sua imunização com a GAPDH é capaz de conferir protecção contra a infecção sistémica por GAPDH. Noutra abordagem de investigação, demonstrámos que o GBS utiliza o sistema do plasminogénio do hospedeiro para facilitar a infecção. Adicionalmente, estudos recentes indicam que este mecanismo está envolvido na passage da bacteria pela barreira hematoencefálica (Magalhães et al., PLOS ONE, em fase de revisão). Assim, o estabelecimento da contribuição do sistema do plasminogénio no desenvolvimento de infecções invasivas pode fornecer potenciais alvos para intervenção terapêutica.
doctorate at Ciências Biomédicas from Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (2012). Has experience in

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