Tércia Montenegro é graduada em Letras pela Universidade Federal do Ceará (1999), mestra em Letras (2002) e doutora em Linguística (2008), também pela Universidade Federal do Ceará. É professora associada (nível II) desta instituição, junto ao Departamento de Letras Vernáculas, onde atua desde 2009. Realizou estágio pós-doutoral (2015-6) com o projeto intitulado A semiótica na fotografia de Tiago Santana, tendo recebido o apoio da CAPES, que possibilitou sua estada para pesquisar na Université de Liège pelo período de 6 meses. Desde 2019, coordena o Visada - Grupo de Investigação do Texto Visual, junto ao curso de Letras da UFC.
Tércia começou sua carreira como ficcionista em 1998, com a publicação de O Vendedor de Judas, livro que atualmente está em sua quinta edição e recebeu o selo PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), do MEC. Em 1999, ganhou a Bolsa para Escritores Brasileiros com Obra em Fase de Conclusão, da Biblioteca Nacional, e em 2000 venceu, com Linha Férrea, o prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, promovido pela Revista Cult. Este livro foi publicado no ano seguinte, em São Paulo, pela Lemos Editorial.
Em 2005, publicou os contos de O resto de teu corpo no aquário, livro que foi premiado pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará. Em 2012, foi a vez de O tempo em estado sólido, volume que recebeu o prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura e o prêmio nacional Ideal Clube de Literatura, tendo sido selecionado pela primeira temporada de originais da editora Grua, de São Paulo. Em 2013, este livro foi finalista do Jabuti e do prêmio Portugal Telecom.
Seus contos também integram várias antologias nacionais e estrangeiras, como 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (ed. Record), Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira (Geração Editorial), Contos de agora (audiobook pela Livro Falante), Quartas histórias ? contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (Garamond), Um rio de contos (ed. Tágide, de Portugal), O conto brasileiro contemporâneo (ed. Laiovento, de Santiago de Compostela), Der schwarze Sonh Gottes ? 16 Fußballgeschichten aus Brasilien (Assoziation A, de Berlim), Wir sind bereit. Junge Prosa aus Brasilien (Lettrétage, de Berlim) e Wenn der Hahn kräht ? Zwölf hellwache Geschichten aus Brasilien (edition fünf, de Munique).
Tércia escreveu histórias voltadas para o público infantil, tendo, nesta área, os seguintes títulos, atualmente esgotados: Um pequeno gesto (2006), O gosto dos nomes (2007), Vítor cabeça-de-vento (prêmio BNB de Literatura, 2007), História de uma calça (2008) e Cores de gatos e rosas (2010). Para os leitores juvenis, em 2010, fez Instruções para beijar, que recebeu o prêmio Secult e foi editado pela 7 Letras, do Rio de Janeiro, e Rachel: o mundo por escrito, uma biografia da escritora Rachel de Queiroz para adolescentes, publicada pela Demócrito Rocha, de Fortaleza.
Tércia manteve, ao longo de três anos, uma coluna no jornal O Povo, publicando textos quinzenais neste espaço. Em 2012, cinquenta de suas crônicas foram reunidas no volume Os espantos, publicado pela Demócrito Rocha, e, em 2013, mais vinte e cinco textos deram origem ao ebook Meu destino exótico, disponível no site da Amazon. Em 2015, lançou o romance Turismo para cegos, pela editora Companhia das Letras - uma obra que recebeu o incentivo do programa Petrobras Cultural e recebeu o prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional, como o melhor romance do ano. Em 2019, publicou, também pela Companhia das Letras, o romance Em plena luz. Em 2022, pela editora Ofícios Terrestres, publicou As delícias - prosa erótico-filosófica.
De 2019 a 2022, Tércia voltou a colaborar para o jornal O Povo, com crônicas quinzenais aos domingos. Além disso, desde 2016 mantém a seção "Tudo é Narrativa", de ensaios sobre arte, no jornal curitibano Rascunho.