Este trabalho tem por objetivo investigar saberes advindos da atividade profissional do professor de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em escolas públicas e de que modo esses saberes foram construídos discursivamente. Entendemos que a fala do professor sobre o seu trabalho integra um conjunto de enunciados que contribuem para a construção de uma determinada forma de agir e pensar sobre a atividade profissional, definindo suas regras de funcionamento. Como introdução, procedemos a um breve histórico da educação pública brasileira, observando sua subordinação a medidas políticas que se definiram como recursos prescritores do funcionamento do ensino e da atividade de trabalho do professor em nosso país. Posteriormente, tecemos considerações acerca da noção de trabalho apresentada pelos estudiosos dos campos da ergonomia da atividade e da ergologia. Demos foco, principalmente, aos estudos ergológicos de Yves Schwartz (2002, 2004, 2007), no que concerne a um olhar para o trabalho a partir do ponto de vista da atividade desempenhada pelo profissional e sua distância da prescrição do trabalho. Entendemos que da realidade do trabalho emanam regras próprias que norteiam o seu funcionamento e elas são capazes de estabelecer um código de conduta entre o grupo profissional que exerce a atividade. Sobre o enfoque discursivo, adotamos a perspectiva da Análise do Discurso de base enunciativa (AD), destacando-se Maingueneau (1997, 1998, 2002, 2005), Brandão (2002), Serrani (1993). Sob essa teoria discutimos os conceitos de formação discursiva, interdiscurso, memória discursiva, heterogeneidade enunciativa e reformulação parafrástica, elevando-os a conceitos fundamentais para a nossa pesquisa. No capítulo metodológico, descrevemos o percurso da pesquisa, o qual inclui os seguintes pontos: a construção do corpus a partir da elaboração de questionário (Daher, 1998) e posterior realização de discussão em grupo (Machado, 1998) entre os sujeitos da pesquisa. A análise seguiu marcas de reformulação através de paráfrases presentes nas falas dos professores, as quais nos permitiram percorrer pistas discursivas que remetiam a uma memória coletiva sobre o fazer docente. Através desses vestígios de memória, foi-nos possível refletir sobre posições enunciativas estabelecidas e sobre os sentidos que se depreendiam dessas posições, corroborando com um certo modo de ser professor. Tais sentidos colaboraram para a compreensão da configuração dos discursos em análise e, sobretudo, do que eles teriam a dizer sobre o trabalho do professor de escola pública, mais especificamente de EJA. Observamos, portanto, o funcionamento relacional entre os discursos que, de forma explícita ou implícita, eram chamados ao debate e observamos como esse funcionamento fortalecia a prática docente, estabelecendo entre os integrantes do grupo em questão um código interno de conduta