A AIDS, como qualquer fenômeno social, tornou-se visível e obteve face própria, a partir do momento em que as práticas midiáticas revelaram-na ao público. Os meios de comunicação massivos (inclusive o cinema e, sobretudo a mídia impressa), não só auxiliaram na visibilidade da AIDS e na construção dos seus efeitos de sentido, como também participaram da construção das representações sociais desse fenômeno. No entanto, devido à urgência em se comunicar sobre a AIDS, houve a elaboração do conhecimento comum. Esse conhecimento foi produzido pela sociedade, pela opinião pública e pelas mídias e aconteceu paralelamente com a decodificação médica. Daí talvez tenha originado as representações apoiadas em idéias estereotipadas. No cinema a AIDS influenciou e continua influenciando diversas produções cinematográficas. Os filmes sobre o assunto tiveram e ainda têm grande destaque na mídia. Pressupondo-se que, como qualquer outra produção simbólica, os filmes são máquinas geradoras de significados. Considerando-se também que por causa dessa polissemia um filme pode ser lido em contextos distintos do original, o presente estudo tem como objetivo discutir e verificar a permanência e a manutenção dos efeitos de sentido da AIDS, que foram construídos pela mídia impressa, nos filmes Cazuza e Carandiru. Para isso, abordamos o cinema como uma prática social para compreendermos a sua capacidade de gerar significados dentro de uma determinada cultura e elucidamos ao leitor sobre a retomada do cinema brasileiro na década de 90 e o seu papel na reflexão dos assuntos contemporâneos que estão tão enraizados no imaginário nacional. Considerando que um deles é a AIDS, fazemos um breve histórico sobre ela no Brasil e no mundo trazendo os dados da epidemia para a atualidade; estudamos as representações sociais da AIDS para elucidar ao leitor sobre como a doença tem sido representada nos diversos segmentos sociais; desenvolvemos uma reflexão teórica a respeito dos efeitos de sentido; abordamos as estratégias de produção e de efeitos de sentido gerados pela mídia impressa; e, finalmente, propomos discutir, analisar ou verificar a permanência, a transformação e a manutenção dos efeitos de sentido da AIDS criados pela mídia impressa nos filmes Cazuza e Carandiru e como aconteceu a aparição desses efeitos de sentido em cada um dos filmes.