A regressão de memória tem sido utilizada, no Brasil e no mundo, como proposta terapêutica amiúde desconsiderada pelos sistemas sanitários formais. Caracteriza-se, junto ao campo das medicinas alternativas e complementares (MAC), como uma prática ou saber não hegemônico, tendo por referência o contexto ocidental contemporâneo em que os tratamentos de saúde se tornaram sinônimos da biomedicina. Esta dissertação observa as características da terapia regressiva, compreendendo os elementos comuns às suas diversas abordagens, reconstituindo uma história desta prática e, também, associando a regressão a um debate mais amplo das MACs, em seus diálogos com a saúde e a ciência. Para cumprir esta tarefa, utiliza-se uma perspectiva filosófica e sociológica acerca do problema da demarcação, por meio do qual se permite abordar as imprecisões para o discernimento entre ciências e não ciências e a polarização entre experiência pessoal e conhecimento objetivo. Conclui-se, em um contexto de saúde, que a potencialidade das práticas alternativas deve ser considerada para além das evidências empíricas e dos métodos em jogo, critérios insuficientes para explicar a dinâmica social dos conhecimentos e, por vezes, alheios às racionalidades e particularidades destas práticas.
The age regression and past life regression have been applied in Brazil and worldwide as a therapeutic proposal frequently disregarded by the regular health care systems. It is considered, along with complementary and alternative medicines (CAM) field, as a non-hegemonic practice or knowledge, with reference to the contemporary occidental context in which health treatments has become synonym of biomedicine. This master thesis observes the characteristics of age regression and past life regression therapy, covering the common elements to its different approaches, reconstituting a history of this practice and also associating the regression to a wider debate of the CAMs in connection with health and science. To fulfill this task, it is used a philosophical and sociological perspective about the demarcation problem by means of which is allowed to consider the inaccuracies of the perceptions of science and non-science and the polarization between personal experience and objective knowledge. All in all, in a health context the potentiality of the alternative practices must be considered beyond the evidences and methods at stake, insufficient criteria to explain the social dynamic of knowledge and sometimes unrelated to rationalities and particularities of these practices.