A estratégia Saúde da Família é proposta como uma das prioridades políticas do Ministério da Saúde para reorganização da Atenção Básica, a fim de concretizar os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde. Dentre as diretrizes, destaca-se a participação da comunidade na gerência do sistema de saúde como uma forma de identificar problemas, encaminhar soluções, fiscalizar e avaliar as ações e os serviços de saúde, incorporando as opiniões dos cidadãos na sua construção. Sua importância para a transformação da assistência à saúde no país conduziu-nos a interrogá-la sob outras bases, fazendo uso do conceito de relação de serviço, presente na obra de Ph. Zarifian. A geração do serviço envolve uma co-produção entre prestador e usuário, subordinada à sua apropriação por este último. Assim, objetivou-se explorar pistas da presença da relação de serviço em uma experiência da estratégia Saúde da Família, analisando-as sob o ponto de vista da atividade de trabalho. Privilegiamos a perspectiva ergológica e a clínica da atividade para compreender como operam os protagonistas do trabalho em foco no confronto com as normas antecedentes, as situações reais de trabalho, seus eventos e as normas de vida dos usuários. Procurou-se dar visibilidade às dramáticas de uso de si implicadas nas complexas negociações de eficácia/eficiência na atividade industriosa, à circulação de valores e seu retrabalho pelo coletivo de trabalho e à capacidade dos trabalhadores reorganizarem o próprio trabalho, expresso por uma diversidade de invenções e re-configurações dos instrumentos, como também na descoberta de novos objetivos para o seu trabalho. Entende-se que na experiência investigada, a produção de serviço foi potencializada pela transformação da Unidade Básica de Saúde e da estratégia Saúde da Família como um lugar de renovação e invenção constantes, o que nos permite afirmar que sua construção está associada à conquista da função psicológica do trabalho e ao fortalecimento da saúde dos trabalhadores. Por fim, destaca-se que ignorar a atividade de trabalho implicada na co-produção do serviço na estratégica Saúde da Família coloca em risco não só os objetivos da estratégia e a saúde de seus trabalhadores, como também a inscrição da saúde como um direito público, de fato
The Saúde da Família (Family Health) strategy is proposed as a main policy of the Ministry of Health for the reorganization of Primary Care in order to implement the principles and guidelines of the Sistema Único de Saúde (Unified Health System). Among the guidelines, there is community participation in managing health system as a way of identifying problems, forwarding solutions, monitor and evaluate the actions and health services, incorporating the views of citizens in its construction. Its importance for the transformation of health care in the country led us to question her on other bases, making use of the concept of service relationship, present in the work of Ph. Zarifian. The creation of the service involves a co-production between provider and user, subject to the appropriation by this last one. Thus, the objective was to explore clues about the presence of a service experience in the Saúde da Família (Family Health) strategy, analyzing them from the point of view of work activity. Favoring the point of view of ergological and clinical activity to understand how the protagonists of the work focused on the confrontation with the previous standards, the real work situations, events and the users life standards. We tried to give visibility to the dramatic use of oneself involved in complex negotiations of effectiveness / efficiency industrious activity, movement of values and their reworking by the worker collective ability to reorganize the work itself, expressed by a variety of " inventions "and re-configuration of the instruments, as well as the discovery of new targets for their work. It is understood that at this investigated experience the creation of service was enhanced by the transformations of the Unidade Básica de Saúde (Basic Health Unit) and the Saúde da Família (Family Health) strategy as a place of constant renewal and invention, which allows us to assert that its construction is associated with the conquest of the function psychological work and strengthening the health of workers. Finally, we emphasize that ignoring the work activity involved in co-production of the service in the Saúde da Família (Family Health) strategy endangers not only the objectives of the strategy and the health of their workers, as well as the inclusion of health as a public right indeed