Relação entre apneia obstrutiva do sono moderada à grave com disfunção metabólica sem influência nos níveis pressóricos em indivíduos obesos hipertensos
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Diversas evidências clínicas e experimentais sugerem que a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) está relacionada ao desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica independentemente da obesidade. Evidências sugerem também que possa contribuir para o desenvolvimento de lesões de órgão-alvo e de aceleração do processo de aterosclerose nos pacientes hipertensos. O objetivo do presente estudo é identificar diferenças nos níveis de pressão arterial e nas alterações metabólicas em pacientes obesos e hipertensos com e sem AOS moderada à grave. Indivíduos obesos previamente hipertensos foram avaliados e, baseado no índice apneia-hipopneia (IAH) obtido em um exame domiciliar utilizando o equipamento portátil Watch-PAT200, divididos nos grupos AOS ausente/leve (AL, com AIH<15/h) e AOS moderada/grave (MG, com AIH≥15/h). Todos os participantes foram submetidos a exames laboratoriais, avaliação antropométrica, da PA braquial, PA central através da tonometria de aplanação com SphygmoCor, e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) de 24 horas. A amostra total foi de 56 pacientes, sendo 32 (57%) no grupo AL (IAH=8,1±4,2/h) e 24 (43%) com AOS-MG (AIH=36,2±20,4/h). Os grupos foram homogêneos em relação ao índice de massa corporal (34,8±3,5 vs 34,5±3,3 kg/m2, p=0,749) e à circunferência abdominal (110±11 vs 112±9 cm, p=0,564). A idade (47±8 vs 54±8 anos, p=0,004) e a circunferência de pescoço (40,2±3,3 vs 42,7±4,5 cm, p=0,024) foram significativamente maiores no grupo AOS-MG. Houve diferença significativa na avaliação do HDL-colesterol (51±14 vs 44±9 mg/dl, p=0,033) e dos triglicerídeos (129±62 vs 173±95 mg/dl, p=0,049). A PA braquial sistólica (129±15 vs 134±18mmHg, p=0,240), diastólica (80±12 vs 84±12mmHg, p=0,290) e a PA sistólica aórtica (121±15 vs 124±18 mmHg, p=0,500) foram pouco maiores nos pacientes com AOS-MG, mas sem significância estatística. Na avaliação pela MAPA, as médias de 24h da PA sistólica (127±12 vs 129±20 mmHg, p=0,653) e diastólica (76±12 vs 77±13 mmHg, p=0,666) foram semelhantes nos dois grupos, também sem diferenças nos períodos de vigília e noturno. Pode-se concluir que, nesta amostra de indivíduos obesos hipertensos, a AOS moderada à grave não demonstrou relação direta com os níveis pressóricos, mas foi associada com um desequilíbrio metabólico, o que pode resultar em maior risco cardiovascular nestes pacientes.
Obstructive Sleep Apnea (OSA) may contribute to a higher cardiovascular risk in hypertensive patients. The present study aimed to identify differences in central blood pressure (BP) and in metabolic alterations between obese hypertensive patients with and without moderate/severe OSA. Obese hypertensive subjects were enrolled in a cross-sectional study. Based on apnea-hypopnea index (AHI) obtained with Watch-PAT200, a home device for sleep study, patients were divided into the group with absent/mild (AM) OSA (AHI<15) and with moderate/severe (MS) OSA (AHI≥15). All patients were submitted to clinical and biochemical evaluation, peripheral and central BP measurements by radial applanation tonometry (SphygmoCor), and 24-h ambulatory blood pressure monitoring. Fifty-six patients completed the study, 32 (57%) in the group AM-OSA and 24 (43%) with MS-OSA (AHI=36±20 vs 8±4, p<0.001). Body mass index (34,8±3,5 vs 34,5±3,3 kg/m2, p=0,749) and abdominal circumference (110±11 vs 112±9 cm, p=0,564) were similar in both groups. Age (47±8 vs 54±8 years, p=0.004) and neck circumference (40.2±3.3 vs 42.7±4.5 cm, p=0.024) were significantly higher in the MS-OSA group. The same group presented a significant lower HDL-cholesterol (51±14 vs 44±9 mg/dl, p=0.033) and higher triglycerides (129±62 vs 173±95 mg/dl, p=0.049). There was no significant difference (p>0.05) in augmentation index (31±8 vs 28±9%) aortic systolic (121±15 vs 124±18mmHg), 24-h systolic (127±12 vs 129±20 mmHg) and 24-h diastolic (76±12 vs 77±13 mmHg) BP between the groups. In these obese hypertensive subjects, moderate/severe OSA did not show any direct relationship with central or ambulatory BP levels but it was associated with metabolic dysfunction, which can result in a higher cardiovascular risk in this population.