A crítica de István Mészáros ao reformismo da social-democracia ocidental é apresentada tendo como base o estudo desse tema em duas das obras mais importantes do autor: Para Além do Capital e O Poder da Ideologia. Uma das teses defendida pelo autor nessas obras é a de que a base material do reformismo deve ser buscada na expansão imperialista que se iniciou em 1870. Mészáros observa que a social-democracia ocidental, em sua trajetória inicial, era defensora dos objetivos socialistas, no entanto, a partir de meados da década de 1870, principalmente depois de 1875, com os debates sobre o Programa de Gotha, ela passou a defender um programa reformista que visava melhorar as condições de existência dos trabalhadores pela introdução de reformas sociais via parlamento. O debate sobre o reformismo foi introduzido no movimento social-democrata no final da década de 1890, com a publicação do livro de Bernstein, Socialismo Evolucionário. Mas foi somente a partir de 1914, com a aprovação dos créditos da Primeira Guerra Mundial pelos deputados social-democratas alemães, que a social-democracia ocidental aderiu abertamente à estratégia reformista. De defensora do socialismo, ela passou a contribuir para atenuar o conflito capital/trabalho, negando-se a questionar e desafiar o capital enquanto antagonista do trabalho. Na verdade, ao limitar sua ação política à obtenção de reformas sociais via parlamento, a social-democracia auxiliou o sistema do capital a continuar o seu domínio sobre a ordem sociorreprodutiva, e, ao fazer isso, contribuiu para desviar o movimento do trabalho da luta pelo socialismo. Mészáros esclarece ainda que o surgimento da crise estrutural do capital em 1970 trouxe à tona também a crise da social-democracia ocidental. Essa crise se explica pelo fato de que, não tendo mais a expansão dinâmica do capital para proporcionar as limitadas vantagens materiais que outrora garantia a determinados setores da classe trabalhadora dos países desenvolvidos, a social-democracia ocidental passou a ter cada vez mais dificuldade para assegurar, por meio da política parlamentar, os limitados ganhos materiais que vinha prometendo até então, pois a crise do capital tem provocado a redução gradativa das margens de reformas para os trabalhadores. O que se tem constatado, pelo contrário, nessa nova época histórica, é o corte de gastos e de políticas e programas sociais importantes para vários setores da classe trabalhadora, além do aumento avassalador do desemprego crônico. Para o autor, essa situação exige que o movimento do trabalho abandone a atual postura defensiva/reformista, cujo principal objetivo é lutar por reformas sociais introduzidas através do Parlamento, e adote uma postura ofensiva na sua luta contra o capital, ou seja, que tenha como finalidade última de suas demandas reivindicatórias a luta contra o capital e todas as suas contradições.
István Mészáros's criticism of the reformism of Western social democracy is presented on the basis of the study of this theme in two of his most important works: Beyond Capital and The Power of Ideology. One of the theses defended by the author in these works is that the material basis of reformism must be sought in the imperialist expansion that began in 1870. Mészáros observes that the western social-democracy, in its initial trajectory, was defender of the socialist objectives, in the However, from the mid-1870s, especially after 1875, with the debates on the Gotha Program, it began to advocate a reformist program aimed at improving workers' living conditions by introducing social reforms via parliament. The debate on reformism was introduced in the Social-Democrat movement in the late 1890s, with the publication of Bernstein's book, Evolutionary Socialism. But it was only after 1914, with the approval of the credits of the First World War by the German Social-Democratic deputies, that the Western social-democracy openly adhered to the reformist strategy. As a defender of socialism, it has contributed to attenuate the capital / labor conflict, refusing to question and challenge capital as an antagonist of labor. Indeed, by limiting its political action to achieving social reforms via parliament, social democracy helped the capital system to continue its domination over the socio-productive order, and in so doing contributed to divert the labor movement from struggle By socialism. Mészáros clarifies that the emergence of the structural crisis of capital in 1970 also brought to the fore the crisis of Western social democracy. This crisis can be explained by the fact that, without the dynamic expansion of capital to provide the limited material advantages that once guaranteed for certain sectors of the working class of developed countries, Western social democracy has become increasingly difficult to ensure, In the midst of parliamentary politics, the limited material gains it had promised until then, since the crisis of capital has led to the gradual reduction of the margins of reforms for the workers. On the contrary, what has been seen in this new historical epoch is the cutting of spending and of social policies and programs that are important to various sectors of the working class, in addition to the overwhelming increase of chronic unemployment. For the author, this situation demands that the labor movement abandon the current defensive/reformist stance, whose main objective is to fight for social reforms introduced through Parliament, and to adopt an offensive stance in its struggle against capital, that is, to have as the ultimate purpose of their demands, the struggle against capital and all its contradictions.