IMPRENSA, HEGEMONIA E A AGENDA NEOLIBERAL NO BRASIL: O discurso privatista e a imagem depreciada do Estado e do funcionalismo público nas páginas do jornal O Globo (1990-1999)
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O objetivo central do presente trabalho foi o de analisar o conteúdo dos editoriais do jornal O Globo, publicados entre os anos 1990 e 1999, em relação ao ideário e à agenda neoliberal que marcaram a história política do Brasil durante esse período. Partimos da premissa de que meios de comunicação como O Globo não são meros mecanismos de informação isentos e imparciais; são agentes históricos e políticos com papel relevante nas disputas que se desenrolam no interior da sociedade civil. São Aparelhos Privados de Hegemonia que difundem ideologias e buscam consolidar consensos em torno dos interesses das classes (ou frações de classes) dominantes. Nessa dissertação, enxergamos o jornal O Globo como um instrumento político/simbólico que atuou na difusão de uma narrativa positiva em torno do neoliberalismo, apresentando-o como uma alternativa benéfica a toda sociedade brasileira. Analisamos e expusemos, neste trabalho, exemplos, sobretudo de editoriais do periódico carioca, que abordavam positivamente a ampla agenda de privatizações dos anos 1990, a abertura comercial e a liberalização do mercado; enquanto, em contrapartida, depreciavam as estatais e a imagem do Estado brasileiro e do funcionalismo público. Também averiguamos as narrativas do jornal O Globo diante de privatizações específicas como a Vale, da CSN e das Telecomunicações. A partir dessa análise percebemos a construção de um discurso pró-neoliberal nas páginas do periódico da família Marinho. Uma narrativa propagandista que exaltava a iniciativa privada e desqualificava o Estado e a Esfera Pública.