In the present work, I describe and analyze the conflict management process at the Special Criminal Court (JECrim). Through field research, conducted from January to October 2013, at a Special Criminal Court of a municipality located at Baixada Fluminense, it was possible to construct and analyze qualitative and quantitative data showing contradictions between the ideals proclaimed in court and the practices of its operators. I demonstrate that despite the fact that Special Criminal Courts are a public policy designed to the democratization of the access to justice based on consensus as the means to achieve conflict resolution, it does not occur. Their ways of managing conflicts of everyday violence limit the democratization of justice and the exercise of citizenship, rather than expand them, and have been turning into a bureaucratic ritual, meaningless to the citizen.
No presente trabalho descrevo e analiso a administração de conflitos que chegam ao Juizado Especial Criminal (JECrim). Por meio de pesquisa de campo, realizada de janeiro a outubro de 2013, em um Juizado Especial Criminal de um município da Baixada Fluminense, foi possível construir e analisar dados qualitativos e quantitativos que evidenciam contradições entre os ideais proclamados do juizado e as práticas de seus operadores. Demonstro que apesar do Juizado Especial Criminal ser uma política pública voltada para a democratização do acesso a justiça, pautada na consensualidade como meio de resolução de conflitos, isso não ocorre. Sua forma de administrar os conflitos da violência cotidiana acaba por limitar a democratização da justiça e o exercício da cidadania, ao invés de ampliá-los, e vêm se transformando em um ritual burocrático e sem sentido para o cidadão