Este trabalho visa refletir sobre os raps Homem na Estrada, Negro Drama e Diário de um Detento, do grupo brasileiro Racionais MC’s. A proposta inicial é mergulhar no universo dessas letras e elucidá-las no contexto de minha prática no magistério. Em consequência, buscou-se, ao longo desta dissertação, atravessar relatos orais e escritos de alunos da Rede Municipal de Educação e relacioná-los a esse campo. Propõe-se, ainda, trilhar e acompanhar tais relatos, sempre utilizando como alicerce a ferramenta coletiva e potente que é o rap – e, em particular, os Racionais MC’s.Além disso, usa-se teóricos como Abdias do Nascimento, Frantz Fanon e Michael Foucault para provocar o alargamento do debate. Propositadamente, nesta pesquisa é preservado o caráter de minha escrita – que tenta fugir ao máximo de uma proposta acadêmica reta, obtusa e cristalizada. Para isso, são trazidas como fator relevante as vozes dessas crianças, suas vivências enquanto crianças negras e parte da minha história como aluno e professor. Acredito que só podemos chegar a uma horizontalidade do pensamento quando nivelamos todos em uma mesma escala; portanto, se disponho teóricos ao lado de rappers, ou de relatos dos meus alunos, é porque quero evitar que exista uma máxima de verdade ou categorias diferentes (furtar-se dessa superioridade). Esse é um trabalho em que se fala de/com/para esses alunos
This work aims to reflect on the rap musics “Homem na Estrada”, “Negro Drama” and “Diário de um Detento”, by the Brazilian group “Racionais MC’s”. Initially, the proposal is to reflect about the universe of these lyrics and elucidate them in the context of my teaching practice. Along this dissertation, the purpose is to go through oral and written testimonials of students from the Municipal Education and relate them to this discussion. It is also proposed to follow such testimonials, always using rap as a fundamental, collective and powerful tool - and, in particular, the Racionais MC’s’s work. In addition to that, theorists such as Abdias do Nascimento, Frantz Fanon and Michael Foucault are used to expand the debate. Purposefully, this research preserves my writing form – which tries to escape as much as possible from a straight, obtuse and crystallized academic proposal. For this, the voices of these children, their experiences as black children and part of my story as a student and teacher are brought as a relevant factor. I believe that we can only reach a horizontal thought when we level everyone to the same scale; therefore, if I have theorists alongside rappers or my students testimonials, it’s because I want to avoid the idea of a supreme truth or different categories (avoiding that kind of superiority). This is a work that talks about / with / for these students