A narrativa ficcional comunica mundos possíveis imaginados, que se estruturam sintática e semanticamente a partir de referentes acessados em mundos objetivos de base. A escritora negro-brasileira Conceição Evaristo arma mundos possíveis ficcionais para além da sexualidade, da miséria e da ignorância experienciadas por ela mesma, retomando suas vivências de mulher negra. A figuração de suas personagens envolve a luta pela preservação da mémoria, presente na realidade de culturas marginalizadas. A escritora plasma mundos possíveis ficcionais que relativizam o discurso hegemônico e manifestam a voz e o lugar de personagens femininas abafadas e subjugadas pelos centros de poder. Desse modo, a macroestrutura narrativa de seus textos combina e alterna submundos de personagens em conflito com a sociedade ao seu derredor, e seus mundos possíveis ficcionais oscilam entre o realismo e o insólito, decalcando-se na ordenação de elementos narrativos que advêm dos submundos das personagens diaspóricas. Assim, a armação de mundos possíveis de Conceição Evaristo oportuniza o trânsito entre mundos excludentes e promove o questionamento da hegemonia