Estudos observacionais mostraram que ganho de peso e aumento da circunferência do abdome são índices prognósticos importantes na hipertensão arterial, sendo a obesidade abdominal um indicador relevante de risco cardiovascular aumentado. O objetivo deste estudo foi identificar alterações metabólicas e cardíacas em uma amostra de mulheres hipertensas não diabéticas com obesidade abdominal. Em um estudo transversal foram incluídas 120 mulheres hipertensas com idade entre 40 e 65 anos, divididas em grupo sem e com obesidade abdominal (SOA, n=42 e COA, n=78) quando circunferência abdominal < ou ≥ 88cm, respectivamente. As participantes do estudo foram submetidas à avaliação clínica e antropométrica, sendo coletados sangue e urina para exames bioquímicos. A seguir, foram encaminhadas para realização de eletrocardiograma, ecodopplercardiograma e ultrassonografia de carótida. A média de idade foi em torno de 53 anos nos dois grupos. A pressão arterial diastólica foi significativamente mais elevada no grupo com obesidade abdominal (90±1 vs 85±1 mmHg, p<0,05). Por outro lado, a pressão arterial sistólica, embora maior entre as mulheres obesas, não atingiu significância estatística (145±2 vs 140±2 mmHg, p=0,0979). O grupo COA apresentou maior número de critérios (3,1±0,1 vs 1,4±0,1, p<0,001) e maior prevalência (62,8 vs 11,9%, p<0,001) de síndrome metabólica, com escore de risco de Framingham semelhante entre os dois grupos. Apesar de glicemias normais e semelhantes nos dois grupos, as pacientes COA apresentaram índices significativamente mais altos de HOMA-IR (2,62±0,22 vs 1,61±0,17 p<0,01) e HOMA-beta (358±57 vs 200±22 p<0,05). Este grupo também demonstrou valores significativamente mais elevados de proteína C-reativa (0,49±0,05 vs 0,26±0,05mg/dl, p<0,01), ácido úrico (5,2±0,1 vs 4,2±0,1 mg/dl, p<0,001) e triglicerídeos (139±8 vs 107±9 mg/dl, p<0,05), e menores de HDL (49±1 vs 55±2 mg/dl, p<0,05). Na avaliação ecocardiográfica, a função sistólica foi semelhante nos dois grupos, mas as pacientes COA apresentaram evidências de disfunção diastólica pelo Doppler tecidual. As pacientes SOA apresentaram geometria ventricular predominantemente normal (75%), enquanto que o grupo COA teve uma prevalência maior de hipertrofia ventricular esquerda (29,2 vs 2,4%). Não houve diferença em relação à espessura médio-intimal da carótida nos dois grupos. Em conclusão, nesta amostra de mulheres hipertensas não diabéticas de meia-idade, a obesidade abdominal foi mais associada com resistência à insulina e alterações cardíacas estruturais e funcionais diastólicas, ainda sem evidências do processo de aterosclerose.
Observational studies have demonstrated that weight gain and increase of abdominal circumference are important prognostic indexes in hypertension, and abdominal obesity is a relevant marker of increased cardiovascular risk. The purpose of this study was to identify metabolic and cardiac alterations in a sample of non-diabetic hypertensive women with abdominal obesity. In a cross-sectional study, 120 hypertensive women aged 40-65 years were included and separated in groups without abdominal obesity (AO-, n=42) and with abdominal obesity (AO+, n=78) according waist circumference < or ≥ 88cm, respectively. The participants of this study were submitted to clinical and anthropometric evaluation, and blood and urine were collected for biochemical tests. Afterwards, electrocardiography, echocardiography, and carotid ultrasound were performed. The mean age was 53 years in both groups. The diastolic blood pressure was significantly higher in the group AO+ (90±1 vs 85±1 mmHg, p<0.05). On the other hand, the systolic blood pressure, although higher among obese women, did not reach statistical significance (145±2 vs 140±2 mmHg, p=0.0979). The group AO+ presented greater number of criteria (3.1±0.1 vs 1.4±0.1, p<0.001) and greater prevalence (62.8 vs 11.9%, p<0.001) of metabolic syndrome, with similar Framingham risk score between the two groups. Despite normal and similar serum glucose levels in both groups, patients AO+ presented significantly higher indexes of HOMA-IR (2.62±0.22 vs 1.61±0.17 p<0.01) and HOMA-beta (358±57 vs 200±22 p<0.05). This group also demonstrated significantly greater values of C-reactive protein (0.49±0.05 vs 0.26±0.05mg/dl, p<0.01), uric acid (5.2±0.1 vs 4.2±0.1 mg/dl, p<0.001) and triglycerides (139±8 vs 107±9 mg/dl, p<0.05), and lower HDL-cholesterol levels (49±1 vs 55±2 mg/dl, p<0.05). In echocardiography, the systolic function was comparable between the two groups, but the patients AO+ presented evidences of diastolic dysfunction by tissue Doppler. The patients AO- presented predominantly normal geometry (75%) of left ventricle, while the group AO+ had a higher prevalence of left ventricle hypertrophy (29.2 vs 2.4%). There was no difference between the two groups concerning carotid intima-media thickness. In conclusion, in this sample of middle-age non-diabetic hypertensive women, abdominal obesity was associated with insulin resistance and structural and functional cardiac alterations, with no evidences of atherosclerotic process.