O tema do transporte urbano vem ganhando destaque, notadamente após as grandes manifestações de 2013, cuja reivindicação inicial foi a melhoria da mobilidade urbana nas grandes metrópoles brasileiras. As questões dessa temática, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, dentre outros aspectos, giram em torno dos investimentos para melhorar a circulação das pessoas, sobretudo devido aos grandes eventos internacionais sediados na cidade, e em razão da significativa participação do transporte rodoviário nos deslocamentos pela cidade carioca. Por outro lado, no que se refere aos motoristas de ônibus, não encontramos referências específicas sobre qualidade de vida no trabalho desta categoria profissional nos documentos oficiais da cidade. Assim, realizamos um olhar à lupa sobre o ofício de dirigir ônibus à luz da Ergologia e da Clínica da Atividade. Empreendemos uma aproximação a esse ofício, primeiramente, mediante a elaboração de uma revisão de literatura de publicações de 2000 a 2015, bem como apresentamos breve histórico desse serviço na cidade, chegando às configurações mais recentes de sua estrutura e organização. Realizamos, inclusive, entrevistas presenciais com motoristas de ônibus, mas apenas um deles participou de todo o processo metodológico inspirado na autoconfrontação cruzada desenvolvida pela Clínica da Atividade. Buscamos conhecer o ofício de dirigir ônibus na cidade do Rio de Janeiro, desde o ponto de vista da atividade, suscitando reflexões sobre condições e organização do trabalho, notadamente, no caso do motorista entrevistado, e identificando aspectos pessoais do ofício mobilizados pelo profissional no trabalho. Os dados obtidos revelaram estar o motorista submetido a uma gestão baseada em modelos neoliberais tanto pela empresa quanto pelo poder público municipal. Tal modelo de gerenciamento das atividades profissionais sobrecarrega esses trabalhadores, expondo-os, segundo nossa observação, a muita pressão e condições de trabalho bastante precárias. De acordo com o entrevistado, a conjuntura e a organização do trabalho interferem negativamente nas condições de vida e saúde, conclusão também verificada na revisão de literatura sobre os motoristas de ônibus. A partir das precariedades observadas, para realizar sua atividade o profissional lança mão de estratagemas individuais, haja vista seu coletivo de trabalho bastante enfraquecido, sobretudo pelas estratégias de gerenciamento adotadas pela empresa de ônibus. Diante disso, sugerimos alguns aspectos para estudos futuros, no sentido de promoverem melhoria na qualidade de vida desses profissionais e, por consequência, um salto de qualidade no serviço prestado
The theme of urban transport has been gaining prominence, especially after the great manifestations of 2013, whose initial claim was the improvement of urban mobility in the great Brazilian metropolises. Among other aspects, the issues in this area, mainly in the city of Rio de Janeiro, revolve around investments to improve people's movement, mainly due to the large international events based in the city, and due to the significant participation of road transport in the displacements through the city of Rio de Janeiro. On the other hand, as far as bus drivers are concerned, in the official documents of the city we do not find specific references on quality of life in the work of this professional category. Thus, we take a look at the magnifying glass about the office of driving buses, in the light of Ergology and the Clinic of Activity. In order to do so, we made an approach this occupation, firstly by preparing a literature review of scientific publications from 2000 to 2015, as well as presenting a brief history of this service in the city, reaching the most recent configurations of its structure and organization. We also conducted personal interviews with bus drivers, but only one of them participated in the whole methodological process inspired by the self-cross-confrontation developed by the Activity Clinic. We seek to know the office of bus driving in the city of Rio de Janeiro from the point of view of the activity, provoking reflections on work conditions and organization, especially in the case of the driver interviewed, and identifying personal aspects of the labour mobilized by the professional at work. The data obtained during this study revealed that the driver is submitted to management based on neoliberal models, both by the company and by the municipal public authority. Such a model of management of professional activities overloads these workers, exposing them to a lot of pressure and precarious working conditions. According to their testimony, these conditions and work organization interfere negatively in the conditions of life and health, a conclusion also verified in the literature review on bus drivers presented in this study. From the precariousness observed, to carry out his work, the professional uses individual strategies, given his collective work, which is weakened, especially by the management strategies adopted by the bus company. Therefore, we suggest some aspects for future researches, in order to promote improvement in the quality of life of these professionals and, consequently, to promote a quality leap in the service provided