Esta dissertação busca explicar os mecanismos que atuaram para o funcionamento da vinculação entre a política externa brasileira (PEB) e o modelo de desenvolvimento nacional, durante o governo de Lula da Silva (2003-2010). Defende-se que o esforço de internacionalização do Brasil é condicionado pela estrutura institucional de organização do capitalismo brasileiro. Para comprovar a hipótese levantada, recorre-se à trajetória de construção dessa estrutura institucional, que serve de suporte para as decisões e comportamento de agentes políticos, com efeito fundamental sobre as estratégias de inserção internacional do país. A política de aproximação com a África, durante o governo de Lula, foi o caso concreto utilizado para pensar se e de que forma a PEB ajuda a criar melhores condições para a expansão do modelo de desenvolvimento nacional. Conclui-se que a dinâmica institucional do capitalismo brasileiro impõe, ao mesmo tempo, as limitações e as possibilidades de internacionalização do país. O Brasil não pode ir para fora com recursos que não possui. Dentro das limitações existentes, o governo de Lula mobilizou os recursos possíveis para uma política externa desenvolvimentista que abriu oportunidades e aumentou o espaço de influência do país no sistema internacional. As contradições intrínsecas ao capitalismo brasileiro representaram limites para o aproveitamento efetivo das oportunidades criadas pela política externa.
This dissertation aims to explain the mechanisms that link the Brazilian development model and foreign policy, during the presidency of Lula da Silva (2003-2010). It is argued that Brazil s efforts to internationalize are conditioned by the institutional framework that organizes Brazilian capitalism. To prove its hypothesis, the study resorts to the path that led to the development of such an institutional framework, which shapes the decisions and behavior of political and economic agents, with fundamental effect on the Brazilian international strategy. Brazil s Africa strategy during the Lula administration offers a concrete example of the extent to which foreign policy can create better opportunities for the expansion of the Brazilian development model. The conclusion is that the institutional dynamics of Brazilian capitalism provide the limitations and possibilities of internationalization. Within the existing limitations, Lula mobilized the resources available to implement a developmentalist foreign policy, opening opportunities and gaining influence for Brazil on the international system. The contradictions of Brazilian capitalism imposed limits on the capitalization of the opportunities created by foreign policy.