Os processos de construÃÃo dos discursos identitÃrios negros no Cearà sÃo abordados neste trabalho a partir da historicidade do Movimento Negro cearense, apreendido desde 1982, quando passam a se articular diversos grupos de consciÃncia negra dando origem a uma trajetÃria militante a qual chamamos de Movimento Negro, atà o ano de 1995 quando se consolida um processo de fragmentaÃÃo da unidade discursiva desse movimento. Nesse perÃodo verificamos a instalaÃÃo de confrontos entre os novos discursos Ãtnicos militantes promovidos pelos diversos grupos componentes do Movimento Negro cearense e os discursos hegemÃnicos estigmatizando, externamente e internamente, o negro cearense, verificados a partir do senso comum cujas matrizes remetem à tradiÃÃo historiogrÃfica, as formas especificas do racismo no Cearà e ao processo de alienaÃÃo e expropriaÃÃo da cultura negra no CearÃ. A nossa anÃlise busca entender, entÃo, a natureza destes embates e confrontos em torno do negro e do movimento negro e avaliar como eles ajudaram no redimensionamento da histÃria, da historiografia, dos discursos e da inserÃÃo social do negro na sociedade cearense.