Detecção e caracterização do megaleque Viruá (RR) com dados multisensores e geológicos: Influência nos padrões atuais de vegetação Documento uri icon

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tipo

  • doctoral thesis

abstrato

  • Sistemas deposicionais do tipo megaleque foram recentemente sugeridos para a Amazônia com base na presença de paleomorfologias triangulares de grandes dimensões (i.e., > 1.000 km$^{2}$). Essas feições, que são salientadas por vegetação aberta em contraste brusco com floresta densa do entorno, permanecem por serem caracterizadas sob o ponto de vista morfológico, sedimentológico e cronológico. Este tipo de estudo é de grande interesse para a reconstituição da paisagem amazônica em tempos passados, bem como para discutir seu impacto no desenvolvimento das espécies vegetais abertas a elas associadas. A presente pesquisa teve como objetivo principal comprovar a existência de um megaleque no Parque Nacional do Viruá e adjacências, norte da Amazônia, bem como proceder com sua caracterização morfológica e sedimentológica, discussão de fatores que influenciaram sua evolução e verificação de sua influência no desenvolvimento das espécies vegetais associadas. Para isto, procedeu-se com um estudo multidisciplinar integrando dados de sensoriamento remoto, sedimentológicos, cronológicos e de caracterização dos padrões vegetacionais no tempo e espaço. Dados de sensoriamento remoto foram utilizados para mapear as formas de relevo, analisar a hidrologia e o padrão de drenagem, e caracterizar a distribuição da cobertura florestal moderna. Dados sedimentológicos incluíram a aquisição e análise de 26 testemunhos de sondagem, com profundidade máxima de 7,5 m. Análises de $\delta$$^{13}$C e C/N derivados da matéria orgânica preservada nos sedimentos serviram de base para reconstituir, ao longo do tempo, os tipos vegetacionais dominantes no sítio deposicional e em seu entorno. Os resultados obtidos comprovam a presença de um sistema deposicional do tipo megaleque na área de estudo. Este sistema se caracteriza por depósito residual de geometria triangular e padrão de drenagem tipicamente distributária, que contrasta com os sistemas fluviais tributários atualmente dominantes na Amazônia. O registro sedimentar revelou depósitos sedimentares relacionados a canal ativo, canal abandonado/planície de inundação, lobo de transbordamento/lobo terminal, lago, fluxo de lama e de detritos, e dunas eólicas. Estes subambientes, desenvolvidos nos últimos 32.000 anos, reforçam a presença de um sistema de megaleque na área de estudo. A integração dos dados de sensoriamento remoto com dados de campo levou a propor que a formação do megaleque foi favorecida pela criação de espaço de acomodação gerado por subsidência tectônica, combinado com regime climático do tipo monçônico similar ao atual. O presente estudo mostrou, ainda, que a ocorrência das espécies e os padrões de distribuição são fortemente controlados pelos processos deposicionais que formaram o megaleque. Áreas do megaleque que permaneceram até mais recentemente com sedimentação ativa são cobertas por vegetação aberta do tipo campinarana graminosa e arbustiva. Conclui-se que este tipo vegetacional surgiu somente no Holoceno médio, em áreas de abandono dos sítios deposicionais. Ilhas de campinarana arbórea em meio ao megaleque mostram correspondência com paleo- dunas eólicas e paleo-barras fluviais.
  • The presence of megafan depositional systems has been recently suggested for Amazonia, based on the existence of large triangular paleomorphologies (i.e., > 1.000 km2). Such features, which are highlighted by open vegetation in sharp contact with the surrounding dense forest, remain to be fully characterized, particularly from the morphological, sedimentological and chronological point of views. This approach is of great interest for the reconstitution of the Amazonian landscape, and also for discussing the origin of open vegetation areas. This study aimed to demonstrate the existence of a megafan in the Viruá National Park and its adjacency, northern Amazonia, as well as characterize its morphology and sedimentology, discuss the environmental factors that triggered its evolution and assess the the influence of the depositional system on the development of the associated vegetation species. A multidisciplinary study integrating remote sensing data, sedimentological, chronological and characterization of vegetation patterns in time and space was undertaken. Remote sensing data were applied for mapping the landforms, analyzing the drainage patterns and characterizing the modern forest cover. Sedimentological data were based on subsurface samples and included the acquisition of 26 cores, with a maximum depth of 7.5 m. $\delta$13C and C/N analyses derived from organic matter preserved in sediments were used to reconstitute vegetation types over the recent geological time. The results confirmed the existence of a megafan depositional system within the study area. This feature is characterized by a residual deposit with a triangular shape and a distributary drainage system, which contrasts with the tributary rivers currently dominant in Amazonia. The sedimentary record revealed the presence of deposits related to active channel, abandoned channel/floodplain, crevasse/terminal lobe, debris flow, and aeolian dunes. These sub-environments, developed over the last 32.000 years, highlight the existence of a megafan within the study area. The integration of remote sensing products with field data led to propose that the megafan construction was promooted by the creation of accommodation space generated by tectonic subsidence, combined with a monsoonal climatic regime similar to the current one. This study also showed that the occurrence and distribution patterns of tree species are strongly controlled by the depositional processes that formed the megafan. Areas that active sedimentation until recently are covered by open vegetation consisting of \textit{campinarana} herbs and shrubs. This vegetation type appeared only in the middle Holocene, in abandoned depositional sites. Forest islands within the megafan show correspondence with paleo-aeolian dunes and paleo-river bars.

data de publicação

  • 2013-01-01