A Psicologia Ambiental busca entender a relação do ser humano com o espaço em que vive. Para configurar se o espaço foi apropriado, podem-se observar elementos que confirmam o processo de apropriação do espaço: a identificação, o sentimento de pertença, a personificação, a cultivação e o sentimento de defesa. Quando se trata do espaço escolar, a apropriação do mesmo possui efeitos psicológicos e pedagógicos. O objeto desta a pesquisa é o processo de apropriação do espaço escolar na pré-escola Núcleo de Educação Infantil (NEI) “Meu Primeiro Passo”, pois as espacialidades deste estabelecimento de ensino poderiam não estar contribuindo para o pleno desenvolvimento das crianças. Para este estudo, têm-se como objetivo geral compreender o processo de apropriação do espaço escolar na pré-escola por crianças de 4 a 6 anos, identificando os modos e os sinais que comprovam a apropriação do espaço pelas crianças, e a percepção de duas educadoras têm em relação às espacialidades do NEI. O método escolhido foi o estudo de caso, onde o coletivo da pesquisa foram os alunos do Núcleo de Educação Infantil (NEI) “Meu Primeiro Passo”, uma professora e uma auxiliar, totalizando 110 sujeitos. A pesquisa de campo ocorreu por dados coletados por meio de observações sistemáticas, desenhos, colagens, inventário fotográfico e entrevistas semiestruturadas. Primeiramente foram definidos os espaços aos quais as crianças têm acesso (parquinho, quadra, sala de aula, área coberta, refeitório e corredor). Na sequencia, para confirmar a apropriação, foi solicitado às crianças que desenhassem o espaço que mais gostam. Em outra atividade, foi pedido para as crianças que realizassem a colagem, em ordem de preferência, das figuras que representavam os espaços do NEI. As colagens foram valoradas e calculadas estatisticamente para a obtenção das médias. Como resultado, o parquinho aparece como o espaço preferido com cinquenta e dois desenhos, 48% do universo pesquisado. Este resultado foi corroborado com a atividade de colagens das figuras, com a obtenção da melhor média, 5,13. Em segundo, a quadra esportiva, com trinta e quatro desenhos, 31,48% e 3,94 de média nas colagens. A sala de aula ficou em terceiro lugar na preferência, 12,96% dos desenhos e 3,40 de média das colagens. O refeitório foi citado como o espaço preferido em apenas cinco desenhos, 4,62%, a área coberta foi citada em dois desenhos, 1,85% e o corredor, que também é o hall do núcleo, foi citado em um único desenho, 0,92%. Os três últimos espaços citados obtiveram quase a mesma preferência na atividade de colagens das figuras, com médias de 2,83 (refeitório), 2,84 (área coberta) e 2,86 (corredor). Todos os desenhos confirmam a apropriação dos espaços do NEI, contudo esta apropriação é singular e diferente para cada criança. Os desenhos também foram analisados seguindo os conceitos da Psicologia Ambiental e as Referencias Bibliográficas Pesquisadas. Como conclusão, observou-se que a criança facilmente se apropria do espaço onde está, em maior ou menor intensidade, dependendo da liberdade que tem no espaço; os espaços preferidos foram o parquinho, a quadra e a sala de aula. A área coberta, o refeitório e o corredor são espaços importantes e transitórios, estes são apropriados de forma diferente. O NEI Meu Primeiro Passo possui poucos mobiliários lúdicos e o seu espaço físico é bastante limitado, porém esta percepção não foi passada nos desenhos das crianças e nas colagens. No entanto, essa percepção foi demonstrada pela professora e pela monitora, em suas entrevistas. Para as crianças, o fator que é mais determinante é a liberdade de agir, as experiências vivenciadas, as atividades realizadas e, principalmente, a afetividade dos profissionais que atuam diretamente com elas.