Quem não é visto não é lembrado. Produção e difusão do conhecimento histórico nas galerias ilustradas no Brasil do século XIX (1800-1860) Documento uri icon

  •  
  • Visão geral
  •  
  • Pesquisas
  •  
  • Identidade
  •  
  • Ver todos
  •  

tipo

  • doctoral thesis

abstrato

  • Da relação entre as linguagens visual e textual surgiu, no oitocentos, o que Manoel Salgado Guimarães chamou de poderosa cultura histórica . Neste sentido, esta tese objetiva desenvolver uma reflexão acerca da relação entre texto e imagem na cultura histórica do Brasil oitocentista através da análise das galerias ilustradas. Visa, sobretudo, investigar como se efetivou na prática o diálogo entre essas duas formas de linguagem. Norbert Elias observou que os membros de todas as sociedades conhecidas presumem-se primordialmente reconhecíveis por todos os conhecidos de seu grupo, como pessoas particulares e únicas, através de seus rostos suplementados pela referência a seus nomes . Sendo assim, a análise destas obras pode nos mostrar como se elaborou a referência aos homens e mulheres do passado através da conexão entre imagem e texto, neste caso, retratos e biografias. Considerando que nas primeiras décadas do oitocentos o discurso histórico era pensado e elaborado primordialmente a partir de fontes escritas, este estudo tem ainda o propósito de examinar a interseção entre a escrita biográfica, a experiência visual e o conhecimento histórico. Qual era a conexão entre escrita e imagem nestas obras e, por fim, quem e o quê devia se tornar objeto da lembrança e do esquecimento são as principais questões a serem abordadas. Em suma, pretendo demonstrar o modo pelo qual as galerias de pessoas ilustres se constituíram em trabalhos que iam ao encontro de uma clara distinção social, transformadas em lugares de memória, identidade e, sobretudo, de novas sensibilidades em um mundo em transformação. Ler e ver para lembrar parece ter sido a ideia subjacente na elaboração destas obras.

data de publicação

  • 2016-01-01