Na década de 1970, o advento da crítica literária feminista foi considerado pela academia como algo nefasto, uma onda de militância ideológica a destruir as artes e a literatura, menosprezando a realização estética dos textos e reduzindo sua importância e valor à política. Contudo, já nos anos 1980, a crítica literária feminista foi reconhecida por teóricos como Jonathan Culler e Terry Eagleton como uma das mais poderosas forças de renovação da crítica contemporânea. Hoje, esta vertente crítica configura um campo amplo e heterogêneo de estudos que incorpora muitas vertentes teóricas e abordagens, em seus diálogos com os estudos pós-coloniais, os estudos culturais e a desconstrução. A ênfase nas relações literatura/artes/cultura, alimentada pelo enfoque interdisciplinar, possibilita a emergência de categorias analíticas da diferença como gênero, raça, classe e sexualidade na investigação de representações identitárias em sua dimensão estética e projeção política.