O exílio sempre foi uma tradição na cultura latino-americana, afirmou certa vez o crítico uruguaio Ángel Rama. A história da América Latina tem sido, desde o século XIX, marcada pelo exílio, seja ele forçado ou voluntário, seja para países do Continente Americano ou para a Europa. Grandes figuras do século XIX ilustram essa tradição: Sarmiento, no Chile; Montalvo, na Colômbia e na França; José Martí, na América Central e EUA. No século XX, o século do exílio, continuaram a tradição Octavio Paz, Julio Cortázar, Pablo Neruda, Vargas Llosa, García Márquez, Ferreira Gullar, Guillermo Cabrera Infante e tantos outros. O exílio tem sido uma das mais importantes formas de expressão política na América Latina. A condição exílica é relevante nos estudos sócio-históricos e literários e é considerada como categoria de discussão a respeito das produções daqueles que estão, por diversas razões, fora de sua terra de origem. O grupo de pesquisa pretende contribuir para a ampliação dos estudos sobre as dimensões culturais e políticas do exílio latino-americano nos séculos XIX e XX ao investigar as ideias culturais e políticas que circulam em periódicos, narrativas literárias e biográficas criadas por intelectuais no exílio. Para tal, analisar-se-á as práticas políticas e as estratégias de intervenção intelectual motivadas pela condição exílica. O grupo congregará pesquisadores, estudantes de graduação, pós-graduação e participantes externos que se dedicam a temas relacionados ao exílio latino-americano. As pesquisas produzidas pelos membros do grupo se ampliarão sob aspectos temáticos, conceituais e de possibilidades historiográficas, explorando fontes de natureza variada (impressos, romances, biografias, petições, manifestos, correspondências) e buscando promover ampla discussão e divulgação de produção acadêmica. Promover-se-á seminários nacionais e internacionais, participação dos membros em congressos e buscar-se-á edições de textos em livros e artigos em periódicos.