A contextualização sobre transplante, doação de órgãos e suas práticas educativas se faz relevante hoje dada a grande necessidade de doadores, e seu correlativo número de pessoas a espera de um órgão. Este estudo partiu da necessidade de se compreender como se fazem as práticas de educação permanente dos profissionais de saúde voltadas para as políticas públicas em transplante de órgãos. Parte-se do entendimento de que a doação de órgãos se insere em um momento de vida de extrema vulnerabilidade por parte do familiar do doador, por lidar diretamente com sua morte. É o profissional de saúde que está junto à família no momento da decisão da doação. Partindo do referencial freireano de educação problematizadora, entende-se que a prática educativa do profissional junto às pessoas atendidas deva se pautar pela reflexão crítica, não pela indução. E a educação permanente deste profissional seria uma mediação para sua atuação neste sentido. Desta forma, tentou-se buscar o entendimento da seguinte questão de estudo: Como se caracteriza a educação permanente dos profissionais de saúde dentro da política de doação de órgãos? Como objetivos específicos, tivemos: Caracterizar a política de educação permanente em doação de órgãos no estado de SC; Identificar como se dão as práticas de educação permanente em doação de órgãos no estado de SC na perspectiva da educação libertadora; Analisar a educação permanente em doação de órgãos sob a ótica dos ministrantes dos cursos e da equipe organizadora; Compreender as ações educativas sob a ótica dos profissionais de saúde que as recebem; Conhecer as principais dificuldades encontradas, junto aos profissionais de saúde, em seu cotidiano no tocante à doação de órgãos. Esta pesquisa se caracterizou por ser exploratória, com abordagem qualitativa e empírica, e teve como sujeitos 05 profissionais responsáveis (instrutores) e 14 envolvidos (que recebem a instrução) no processo de Educação Permanente para doação de órgãos do estado de Santa Catarina, em um dos cursos desenvolvidos. Como instrumentos de coleta de dados foi empregado o questionário e a observação. Como resultados, temos que existe uma política de educação permanente em doação de órgãos no estado. Suas práticas educativas não se expressam segundo o referencial freireano, no entanto, há momentos de reflexão crítica nestes cursos. Tanto para os instrutores como para os profissionais que fazem os cursos, a importância dos mesmos se refere ao seu conteúdo de atualização, de informação e de aperfeiçoamento do processo de explante, não sendo muito colocada a questão da criticidade. Porém, ela está presente nos cursos observados, em alguns momentos em que se privilegiam os debates. As maiores dificuldades encontradas em relação à doação é a falta de preparo dos profissionais, o que reitera a importância da educação permanente. Os benefícios desta pesquisa à sociedade se direcionam para a melhoria dos serviços responsáveis pela realização do transplante de órgãos, mediante uma reflexão críticas da educação permanente em saúde desenvolvida que, mais do que aperfeiçoar uma técnica, deve promover a conscientização.