Esta dissertação pretende abordar, dentro da perspectiva da comunicação contemporânea, algumas questões sobre as formas de representação do negro no cinema brasileiro contemporâneo, buscando verificar o que o cinema atual mantém ou não de herança do cinema realizado em outras épocas. Para tanto, escolhemos como objeto de análise o filme Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, obra que, mesmo com uma concepção estética cinematográfica próxima da publicidade e do videoclipe, faz uma denúncia social, narrando de forma contestadora o crescimento do tráfico de drogas nas favelas cariocas. Esta pesquisa objetiva, de modo mais específico, a análise descritiva de quatro personagens centrais de Cidade de Deus, a saber: Buscapé, Zé Pequeno, Bené e Mané Galinha. A escolha de tais personagens justifica-se pelo fato de todos os atores serem negros e possuírem destinos diferentes dentro de uma narrativa que privilegia o contexto social como eixo principal de sua produção e não a raça das personagens. Através da análise, verificaremos se a representação do negro no filme é ou não baseada em estereótipos convencionais do negro, descritos por autores como Joel Zito Araújo, Jefferson De e João Carlos Rodrigues. O método de análise fílmica utilizado apóia-se nos estudos de Francis Vanoye e Anne Goliot-Lété, a relação de arquétipos para filmes de ficção descritos por Vogler me permitiu entender a construção de personagens e quais seus desdobramentos dentro das narrativas, além de autores como Robert Stam e Ella Shohat que me forneceram subsídios necessários para o andamento da pesquisa. A tentativa deste trabalho é mostrar outro olhar para a análise da representação do negro no audiovisual brasileiro, evidenciando que não existe apenas um viés analítico, uma vez que outros modos também são possíveis. Para tanto é necessário que haja um esforço em querer apresentar visões positivas para a compreensão da raça negra e de suas novas formas de representação.