Com a presente tese de doutoramento, analiso as interfaces entre o movimento intelectual, polÃtico, artÃstico e cultural internacional e seus desdobramentos no Brasil, especificamente, na cidade de Fortaleza, entre os anos de 1960 e 1970. AtravÃs da memÃria de alunos e professores, utilizando entrevistas orais, conheÃo as trajetÃrias individuais e coletivas que se tornaram roteiros de projetos artÃsticos e culturais e envolveram seus autores em leituras e experiÃncias culturais e educacionais suscitadas por movimentos ideolÃgicos intelectuais. Dessa forma, procuro entender como as experiÃncias e a formaÃÃo de alunos e professores nas instituiÃÃes de ensino (escolas e universidade) acabaram influenciando o processo educativo e artÃstico de alunos e professores nos anos de 1960 e 1970 e a inserÃÃo desses âartistasâ na indÃstria cultural nos anos de 1970. A partir da prosopografia, busco entender essas trajetÃrias, suas prÃticas educativas (o saber formal), suas experiÃncias na articulaÃÃo polÃtica e na arte, especialmente, no teatro e na mÃsica, como produtoras de um saber que dava sentido à vida, numa cidade como Fortaleza, sem muita infraestrutura. Apesar disso lhes proporcionava determinados lugares para essas manifestaÃÃes, que ocorriam entre lares, bares e a Universidade Federal do CearÃ, a Ãpoca, a grande potencializadora do conhecimento no CearÃ, por meio de debates, de encontros e de exposiÃÃo da produÃÃo artÃstica, unindo o conhecimento formal e o informal com outros centros universitÃrios como UFPE, UFPB, UFPI, UFRN, UNB e USP, os quais se articulavam, refletiam e produziam sobre a realidade local e nacional. Essas experiÃncias e discussÃes polÃticas e culturais nas instituiÃÃes de ensino secundÃrio, na Universidade, no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros) no MCP (Movimento de Cultura Popular), no MEB (Movimento de EducaÃÃo de Base) e no CPC (Centro Popular de Cultura), que discutiam Paulo Freire e suas propostas educacionais, aproximaram intelectuais, professores e artistas ligados a estas instituiÃÃes, almejando instrumentalizar politicamente uma memÃria nacional âengajadaâ, demarcando a antinomia sobre o nacional e o popular na cultura brasileira em torno da mudanÃa de comportamento polÃtico, educacional, cultural e estÃtico dos jovens. Por outro lado, com o golpe civil-militar de 1964, muitos desses sujeitos seguem caminhos distintos: alguns se engajam na luta armada, outros se aproximam da seguranÃa do emprego e do salÃrio como professores na Universidade, outros enveredam nas artes cÃnicas, nas artes plÃsticas e alguns se tornam artistas conhecidos, conseguindo espaÃo, com suas mÃsicas, no difÃcil mercado da indÃstria fonogrÃfica. A exegese das reminiscÃncias, à Ãpoca, de estudantes, professores artistas, fornece elementos importantes para reflexÃo e entendimento das transformaÃÃes socioculturais e educativas nos anos de 1960 e 1970 do sÃculo XX na cidade de Fortaleza.