A realidade, tal como a representamos através das construções conceituais do discurso do conhecimento, é constituída por sujeitos históricos. Mudam os discursos com seus significantes privilegiados, a maneira como tais significantes se ligam a uma significação e, por conseguinte, as formas de laço social. Assim, o sujeito e seus sintomas, a instituição e suas leis se alteram sob o impacto do tempo.Fora desse discurso do conhecimento, a psicanálise estabelece uma outra relação com a representação e com a verdade. Segundo esta, tais construções, por se restringir a falar da realidade a partir de sua imersão em instâncias simbólicas e imaginárias, são incapazes de capturar o que Lacan compreende com o conceito de Real, o qual circunscreve uma lógica diferente da que governa a cadeia dos significantes e os seus pontos de amarração com os significados.O Real, sendo inassimilável pela cultura e pelos sujeitos, incide e desafia sem cessar nosso poder de apreensão.