Esta investigação analisa como o paradigma de integração das populações indígenas brasileiras, sob tutela do órgão estatal Serviço de Proteção aos Índios (SPI), foi formulado por uma política de adestramento dos índios a formas de vida que lhes eram estranhas, com combinação de excesso de violência estatal contra seus corpos. Nesse sentido, verifica-se a concomitância de um projeto estatal de proteção e assistência à vida indígena e a premissa de sua inferioridade que imporia um modelo de civilização. São examinadas, para isso, disposições do SPI ao lado das denúncias de práticas ativas e omissivas de torturas, escravizações, abusos sexuais, estupros, cárceres privados, e extermínio dos povos indígenas por funcionários do órgão, descritas no Relatório Figueiredo (1967), utilizando o método de análise de tecnologias de poder de Michel Foucault, permitindo-se uma abertura para as categorias de colonialidade desenvolvidas no âmbito da rede modernidade/ colonialidad (M/C)