No âmbito das pesquisas educacionais atuais, assim como para a grande maioria dos professores, é indubitável que a atividade de ensino de Matemática contribui para a formação da individualidade dos alunos. No entanto, o que nem sempre se tem clareza é qual indivíduo se pretende formar. Partindo dessa questão, começamos a delinear o objeto da pesquisa referindo-se à relação entre a atividade de ensino de Matemática para a formação da individualidade discente, sintetizado no seguinte problema: Qual contribuição para a formação da individualidade está presente na atividade de ensino dos professores de Matemática? Nosso objetivo foi investigar a concepção de formação da individualidade intrínseca à atividade de ensino de Matemática. Para atingir os nossos objetivos, se fez necessário analisar as atividades desses professores. Como o documento oficial que regula as atividades de ensino do estado de Santa Catarina (Proposta Curricular de Santa Catarina - 1998) tem por base o mesmo referencial adotado pela presente pesquisa, - o materialismo histórico e dialético - optamos por adotá-lo como um dos critérios para a escolha dos sujeitos, a saber: professores de Matemática da rede pública estadual que lecionam no ensino fundamental – séries finais, formados e efetivados no período de 1991 a 2011, que atuam nas escolas com sede no município de Criciúma (SC). Com base na teoria da atividade de Leontiev (1978, 1988, 2004), elegemos três categorias para analisar a atividade de ensino de Matemática: 1) os motivos e as necessidades; 2) Os sentidos atribuídos à atividade; 3) A concepção de indivíduo subjacente à finalidade. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas que foram gravadas, transcritas e organizadas para fins de análise. O estudo nos mostra que a perspectiva de formação do indivíduo colocada como fim da atividade docente se desenvolve em dois sentidos: de um lado, um sujeito voltado para a competição no mercado de trabalho; por outro, um cidadão que saiba seus direitos e deveres, assim como os limites para não prejudicar os outros cidadãos. Para atingir essa finalidade, as atividades de ensino se estruturam com base nas necessidades e interesses imediatos dos alunos. Com isso o ensino contribui para a formação de indivíduos voltados para a vivência cotidiana. Dessa forma, o aluno tem limitada a possibilidade de seu desenvolvimento, pois a vida cotidiana se estrutura pragmática e utilitariamente, o que não contribui para que o sujeito forme sua individualidade estabelecendo uma relação consciente com o gênero humano.