A presente tese origina-se da pesquisa de doutoramento realizada com o cotidiano na/da Escola Municipal João Cabral de Melo Neto/São Gonçalo, objetivando investigar a criação e a (trans)formação de práticas avaliativas emancipatórias. Ao buscar compreender como estas se tecem nas redes de fazeressaberes docentes, tomamos as narrativas das próprias praticantespensantes (OLIVEIRA, 2012) as professoras - como metodologia e fonte de pesquisa. No desenvolvimento do processo investigativo, as práticas foram assumidas como ponto de partida e de chegada, utilizando a teoria como instrumento que ajuda a ver limites e possibilidades da prática e a prática para atualizar a teoria. A partir de princípios freirianos imersos no paradigma da avaliação emancipatória (SAUL, 2008) e de ideias-força presentes na perspectiva da avaliação como prática de investigação (ESTEBAN, 2006), identificamos fios na tessitura das práticas avaliativas no cotidiano escolar: o diálogo, a compreensão da impossibilidade de neutralidade das práticas, a formação docente, o erro como indício de conhecimento, a heterogeneidade como potência e a proximidade entre os sujeitos envolvidos no processo de aprenderensinar. Contribuíram também os estudos de Sacristán (1998) sobre as funções da avaliação e as abordagens de Fernandes (2009) quanto à evolução histórica da avaliação. Os vestígios encontrados na pesquisa apontaram para a afirmação do cotidiano escolar como espaço potente, onde foram notadas as presenças de duas outras funções das práticas avaliativas em processo de (trans)formação avaliação indicativa e avaliação como força criadora, ambas com origem na epistemologia contra-hegemônica. Em resposta aos desafios da pesquisa com o cotidiano, processos criativos levaram à produção de um dispositivo - fotolivro - para a devolutiva dos achados de pesquisa à escola, de modo a manter o diálogo entre diferentes conhecimentos, mesmo finda a pesquisa. A criação, entendida como forma de inventar esperanças, articula a investigação aos esforços dos que ainda acreditam num outro mundo possível, com mais justiça cognitiva produzindo justiça social
The present thesis originates from the doctoral research carried out with the daily life in the Escola Municipal João Cabral de Melo Neto / São Gonçalo, aiming to investigate the creation and (trans) formation of emancipatory evaluative practices. In seeking to understand how these are woven in teacher education networks, we take the narratives of the practitioners themselves (OLIVEIRA, 2012) - the teachers, as methodology and source of research. In the development of the investigative process, practices were assumed as a starting point and point of arrival, using theory as an instrument that helps to see the limits and possibilities of practice, and the practice to update the theory. Based on Freire s principles immersed in the emancipatory evaluation paradigm (SAUL, 2008) and of ideas-force present from the perspective of evaluation as a research practice (ESTEBAN, 2006), we identify threads in the context of evaluative practices in daily school life: the dialogue, the understanding of the impossibility of neutrality of practices, teacher training, error as evidence of knowledge, heterogeneity as power and proximity between the subjects involved in the process of learning to learn. The studies of Sacristán (1998) on the evaluation functions and the approaches of Fernandes (2009) on the historical evolution of the evaluation also contributed. The vestiges found in the research, pointed to the affirmation of school daily life as a potent space, where we noticed the presence of two others functions of evaluative practices in process of (trans) formation - indicative evaluation and evaluation as a creative force, both with origin in epistemology counter-hegemonic. In response to the challenges of everyday research, creative processes led to the production of a device - photobook - for the return of research findings to the school, in order to maintain the dialogue between different knowledge, even after the research. Creation, understood as a way of inventing hopes, links research to the efforts of those who still believe in another possible world, with more cognitive justice producing social justice